Eu sou um ser humano que não abdica da sua dignidade.
Quando me dedico a uma causa como voluntário e claro que sem qualquer remuneração, não espero nada em troca, somente que me respeitem.
Dia após dia, vinha pedindo apoio à equipa e vendo que as pessoas tudo faziam para não ajudar ou colaborar, o que me foi deixando cada vez mais apreensivo.
Depois veio o desrespeito disfarçado com dúvidas e pormenores técnicos sem sentido.
Recorri ao líder e cedo vi que era totalmente inútil.
Tentei dialogar bilateralmente com elementos da equipa, mas o líder cortou esses contatos argumentando que queria estar envolvido.
Num novo projeto fui marginalizado. Não foi percepção, foi mesmo real e por escrito.
Entretanto a reunião proposta e organizada pelo líder foi alargada ao público. Presentes estiveram pessoas que nada tinham a ver com o assunto. Nessa altura fui avaliado por elementos sem o mínimo conhecimento técnico e sem terem visto o meu currículo.
Fui vexado em público. Senti-me a mais e não era a primeira vez. Mesmo assim não reagi logo.
Tudo o que eu havia feito, pior do que desvalorizado, foi ignorado. A aposta era correr comigo.
No domingo seguinte era suposto eu ter uma intervenção noutra área que nada tinha a ver com aquela da desavença. E quando menos esperava fui substituído sem ser avisado. Apresentei-me para o evento e alguém me disse que havia sido nomeado para me substituir naquele serviço.
Abandonei o local em litigio e uma hora depois a direção regional e uma outra nacional recebiam um e-mail onde mostrava a minha indignação e me demitia de todas as funções.
Mais tarde refleti e entendi que os acontecimentos foram manipulados até obterem a minha explosão e abandono. A área onde se deu a rutura nem tinha nada a ver com a área da desavença. O objetivo era e sempre foi que eu saísse.
O líder havia optado ficar do lado dos que comigo não colaboravam e queriam a minha saída. Na impossibilidade de me culpabilizar naquela área ele criou um cenário noutra área apostado em me levar à rotura. Pura inveja que hoje vejo ter tido origem no grupo, mas que era sentida pelo próprio líder.
Dias depois via uma frase que dizia: «Pedro explodia facilmente, mas o perigo veio de Judas que era meigo e beijava no rosto.» Como eu percebi aquela frase. Como ela me tocou. Senti-me Pedro e vi no líder o outro personagem.
Hoje olho para trás e não me arrependo de nada. Por muito que me tivesse custado aquela rotura, principalmente por algumas pessoas que deixei, foi muito bom para mim e para a minha libertação e para romper com aqueles que não só me prejudicavam por inveja, como queriam privar-me da minha dignidade.
Três anos depois fui capaz de voltar a este tema para resumir o que se passou. Dou graças a Deus por tudo que me deu e pelo suporte que nessa altura tive de Ele para enfrentar essas forças malignas.
Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida
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