terça-feira, 6 de outubro de 2026

De Pedro explosivo a Judas que beijava no rosto

Eu sou um ser humano que não abdica da sua dignidade. 
Quando me dedico a uma causa como voluntário e claro que sem qualquer remuneração, não espero nada em troca, somente que me respeitem.

Dia após dia, vinha pedindo apoio à equipa e vendo que as pessoas tudo faziam para não ajudar ou colaborar, o que me foi deixando cada vez mais apreensivo.
Depois veio o desrespeito disfarçado com dúvidas e pormenores técnicos sem sentido. 
Recorri ao líder e cedo vi que era totalmente inútil. 
Tentei dialogar bilateralmente com elementos da equipa, mas o líder cortou esses contatos argumentando que queria estar envolvido.

Num novo projeto fui marginalizado. Não foi percepção, foi mesmo real e por escrito.

Entretanto a reunião proposta e organizada pelo líder foi alargada ao público. Presentes estiveram pessoas que nada tinham a ver com o assunto. Nessa altura fui avaliado por elementos sem o mínimo conhecimento técnico e sem terem visto o meu currículo.
Fui vexado em público. Senti-me a mais e não era a primeira vez. Mesmo assim não reagi logo.
Tudo o que eu havia feito, pior do que desvalorizado, foi ignorado. A aposta era correr comigo.

No domingo seguinte era suposto eu ter uma intervenção noutra área que nada tinha  a ver com aquela da desavença. E quando menos esperava fui substituído sem ser avisado. Apresentei-me para o evento e alguém me disse que havia sido nomeado para me substituir naquele serviço.
Abandonei o local em litigio e uma hora depois a direção regional e uma outra nacional recebiam um e-mail onde mostrava a minha indignação e me demitia de todas as funções.

Mais tarde refleti e entendi que os acontecimentos foram manipulados até obterem a minha explosão e abandono. A área onde se deu a rutura nem tinha nada a ver com a área da desavença. O objetivo era e sempre foi que eu saísse.

O líder havia optado ficar do lado dos que comigo não colaboravam e queriam a minha saída. Na impossibilidade de me culpabilizar naquela área ele criou um cenário noutra área apostado em me levar à rotura. Pura inveja que hoje vejo ter tido origem no grupo, mas que era sentida pelo próprio líder.

Dias depois via uma frase que dizia: «Pedro explodia facilmente, mas o perigo veio de Judas que era meigo e beijava no rosto.» Como eu percebi aquela frase. Como ela me tocou. Senti-me Pedro e vi no líder o outro personagem.

Hoje olho para trás e não me arrependo de nada. Por muito que me tivesse custado aquela rotura, principalmente por algumas pessoas que deixei, foi muito bom para mim e para a minha libertação e para romper com aqueles que não só me prejudicavam por inveja, como queriam privar-me da minha dignidade.

Três anos depois fui capaz de voltar a este tema para resumir o que se passou. Dou graças a Deus por tudo que me deu e pelo suporte que nessa altura tive de Ele para enfrentar essas forças malignas.

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Os bombons soldados

Foi no Natal de 2017 que compramos um saquito de bombons coloridos. Daqueles mais simples que me fazem lembrar os tempos de juventude em que não havia dinheiro para as caixas de chocolates sofisticados. Mas confesso-vos que ainda hoje, estes simples bombons de chocolate de leite são os que eu mais aprecio.

A minha mulher colocou-os num pequeno bibelot em forma de taça, que ela havia pintado. E cá em casa, todos achamos engraçado o resultado visual de ter juntado os chocolatitos ao acessório de decoração. Dava cor e vida à mesa da sala.

Comecei a aperceber-me que o colorido ia diminuindo dia após dia. Mas nunca dei relevo a esse facto, até que um dia refleti e me lembrei que não havia comido nenhum bombom. Reparei então que restavam pouco mais de uma dúzia. Claro que só podiam andar a ser comidos pela minha mulher e pelo meu filho. E de repente surgiu-me uma ideia.

O máximo denominador comum restante das diversas cores era 3. Comi os dois que sobravam e alinhei os restantes, como se de um exército de bombons se tratasse. Lembrei-me mesmo do famoso quadrado da Batalha de Aljubarrota, tido como uma grande estratégia do Condestável, mas que eu, não sendo técnico militar nunca percebi muito bem.

Vejam a foto tirada no final de Janeiro de 2018 (nessa altura o nome dos meses ainda se escrevia com letra maiúscula, mas isto é só um detalhe).

E durante dias, semanas, meses ninguém mais ousou «atacar» os bombons. Até que um domingo à tarde, em família, eu me lembrei de os convidar para comer um. Mãe e filho entreolharam-se e sorriram, aceitando prontamente.

Então eu questionei-os porque não haviam comido a dúzia restante e entre risos lá confessaram que se sentiram intimidados pela disposição e por suporem que alguém os poderia estar a controlar.

Foi uma tarde divertida e lá se foi o quadro de Aljubarrota...


Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

segunda-feira, 16 de junho de 2025

A culpa é do ministro - pedi uma consulta a 15 de maio e só a tive a 23 de outubro

Trago-vos mais um Retalho da minha vida. Há quase um ano, mais concretamente a 09 de julho de 2024 eu escrevi o seguinte:

«Ao fim de 1 mês e meio a aguardar por uma consulta médica no Serviço Nacional de Saúde, anteontem recebi 1 SMS e ontem recebi mais 3 SMS a avisar-me para não faltar à consulta agendada para hoje.
Hoje, azar meu, faltou a médica.
Esqueceram-se de mandar SMS à médica!
Mandaram as SMS todas para mim. Terá sido engano?
A solução que me propuseram foi marcar nova consulta, para a qual, a data disponível mais próxima é daqui a 2 meses e meio.»

E a 23 de setembro de 2024, depois de na véspera ter recebido novamente 2 SMS a avisar para não faltar à consulta agendada, recebi logo de manhã um telefonema do Centro de Saúde a cancelar, porque a médica havia faltado.

Fiquei um pouco desesperado. Até parece que a médica quando via o meu nome na lista de consultas, faltava.

A melhor data possível para novo agendamento foi 23 de outubro. E finalmente, quase meio ano depois, lá tive a tão esperada «reunião» com a médica, em que trocamos algumas opiniões sobre a minha necessidade de fazer dieta e perder peso.
No final, ela não me pareceu nada assustada ou zangada comigo. Foi muito simpática e prescreveu-me uma dúzia de análises.

Claro que entretanto eu havia recorrido a consulta e tratamento no privado, não comparticipada pelo SNS.

Cheguei à conclusão que o mau funcionamento do SNS não se deve aos profissionais ou à gestão destas situações em que, caso haja cancelamento, a única alternativa é marcar nova consulta para meses depois. Ou seja, a culpa não é dos profissionais que faltam ou dos que fazem estes procedimentos e se estão nas tintas para os doentes... a culpa é do ministro ou da ministra...

E mais, demitam a Ministra ou o Ministro, não vá ela ou ele terem uma ideia para solucionar estes casos e acabarem com o mau funcionamento do SNS.
Afinal, como dizia o outro, o maior problema deste país é a «peste grisalha». E até parece que esse é o problema que a classe política está empenhada em combater. Tudo o resto no nosso país, apesar de mudarem os governos, continua sempre na mesma.


Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida