segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Os bombons soldados

Foi no Natal de 2017 que compramos um saquito de bombons coloridos. Daqueles mais simples que me fazem lembrar os tempos de juventude em que não havia dinheiro para as caixas de chocolates sofisticados. Mas confesso-vos que ainda hoje, estes simples bombons de chocolate de leite são os que eu mais aprecio.

A minha mulher colocou-os num pequeno bibelot em forma de taça, que ela havia pintado. E cá em casa, todos achamos engraçado o resultado visual de ter juntado os chocolatitos ao acessório de decoração. Dava cor e vida à mesa da sala.

Comecei a aperceber-me que o colorido ia diminuindo dia após dia. Mas nunca dei relevo a esse facto, até que um dia refleti e me lembrei que não havia comido nenhum bombom. Reparei então que restavam pouco mais de uma dúzia. Claro que só podiam andar a ser comidos pela minha mulher e pelo meu filho. E de repente surgiu-me uma ideia.

O máximo denominador comum restante das diversas cores era 3. Comi os dois que sobravam e alinhei os restantes, como se de um exército de bombons se tratasse. Lembrei-me mesmo do famoso quadrado da Batalha de Aljubarrota, tido como uma grande estratégia do Condestável, mas que eu, não sendo técnico militar nunca percebi muito bem.

Vejam a foto tirada no final de Janeiro de 2018 (nessa altura o nome dos meses ainda se escrevia com letra maiúscula, mas isto é só um detalhe).

E durante dias, semanas, meses ninguém mais ousou «atacar» os bombons. Até que um domingo à tarde, em família, eu me lembrei de os convidar para comer um. Mãe e filho entreolharam-se e sorriram, aceitando prontamente.

Então eu questionei-os porque não haviam comido a dúzia restante e entre risos lá confessaram que se sentiram intimidados pela disposição e por suporem que alguém os poderia estar a controlar.

Foi uma tarde divertida e lá se foi o quadro de Aljubarrota...


Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

segunda-feira, 16 de junho de 2025

A culpa é do ministro - pedi uma consulta a 15 de maio e só a tive a 23 de outubro

Trago-vos mais um Retalho da minha vida. Há quase um ano, mais concretamente a 09 de julho de 2024 eu escrevi o seguinte:

«Ao fim de 1 mês e meio a aguardar por uma consulta médica no Serviço Nacional de Saúde, anteontem recebi 1 SMS e ontem recebi mais 3 SMS a avisar-me para não faltar à consulta agendada para hoje.
Hoje, azar meu, faltou a médica.
Esqueceram-se de mandar SMS à médica!
Mandaram as SMS todas para mim. Terá sido engano?
A solução que me propuseram foi marcar nova consulta, para a qual, a data disponível mais próxima é daqui a 2 meses e meio

E a 23 de setembro de 2024, depois de na véspera ter recebido novamente 2 SMS a avisar para não faltar à consulta agendada, recebi logo de manhã um telefonema do Centro de Saúde a cancelar, porque a médica havia faltado.

Fiquei um pouco desesperado. Até parece que a médica quando via o meu nome na lista de consultas, faltava.

A melhor data possível para novo agendamento foi 23 de outubro. E finalmente, quase meio ano depois, lá tive a tão esperada «reunião» com a médica, em que trocamos algumas opiniões sobre a minha necessidade de fazer dieta e perder peso.
No final, ela não me pareceu nada assustada ou zangada comigo. Foi muito simpática e prescreveu-me uma dúzia de análises.

Claro que entretanto eu havia recorrido a consulta e tratamento no privado, não comparticipada pelo SNS.

Cheguei à conclusão que o mau funcionamento do SNS não se deve aos profissionais ou à gestão destas situações em que, caso haja cancelamento, a única alternativa é marcar nova consulta para meses depois. Ou seja, a culpa não é dos profissionais que faltam ou dos que fazem estes procedimentos e se estão nas tintas para os doentes... a culpa é do ministro ou da ministra...

E mais, demitam a Ministra ou o Ministro, não vá ela ou ele terem uma ideia para solucionar estes casos e acabarem com o mau funcionamento do SNS.
Afinal, como dizia o outro, o maior problema deste país é a «peste grisalha». E até parece que esse é o problema que a classe política está empenhada em combater. Tudo o resto no nosso país, apesar de mudarem os governos, continua sempre na mesma.


Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 28 de abril de 2025

A história do meu gerador

Quando em 2002 me mudei para a casa onde habito atualmente, o meu falecido pai insistiu em que deveria comprar um gerador; «era um valor acrescentado para uma emergência». E após alguma insistência, em 2003 comprei o gerador que podem ver na imagem.


Passaram 22 anos sem que eu precisasse do gerador. Trabalhou, que me lembre, 2 vezes, mas só para teste.

Há dias fui meter gasolina com o meu filho e decidi levar um pequeno recipiente de 5 litros para adquirir combustível, para fazer mais um teste ao gerador.

Hoje, após o apagão e ouvir dizer que a REN não confirmava a hora de restabelecimento de energia, podendo acontecer somente nas primeiras horas de amanhã, decidi tirar o gerador da garagem.

Ao final da tarde, a minha mulher e eu retiramos os alimentos da arca e do frigorifico para cozinharmos a gás (a nossa placa é a gás) o nosso jantar. E decidimos que mais tarde ligaríamos o gerador durante uma ou duas horas, para que arca e frigorífico repusessem o frio e aguentassem até de manhã.

Por volta das 20h15, quando coloquei o gerador em marcha estava lento e só gerava 170V. Lá descobri como acelerá-lo e afiná-lo e chegou aos 230V. Mas cerca de um minuto depois desligou-se. Reparei que não tinha aberto a torneira da gasolina (idêntica aquela das motorizadas). Abri-a e com o motor a trabalhar certinho conferi a voltagem. Com tudo no ponto, coloquei uma extensão e liguei a arca e o frigorifico.

Endireitei as costa e orgulhoso do sucesso do trabalho que tive, sorri para a minha mulher que nesse momento abriu a porta da cozinha que dá para o pátio.

- Já está. Deu trabalho mas temos energia elétrica. - disse eu.

- Então podes desligar que já há eletricidade da rede. - respondeu ela.

Eram 20h25 e o gerador tinha alimentado a arca e o frigorifico durante cerca de 3 minutos ou nem isso... 

Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Amadores e Profissionais

Eu sou Radioamador. Um amante das comunicações via rádio, das experiências de emissão e receção de ondas eletromagnéticas moduladas e da eletrónica básica. Não percebo muito, sou um amador. 

Há já alguns anos li algo que me marcou e me fez pensar: «A arca que resistiu ao dilúvio foi construída por Noé, que profissionalmente não era carpinteiro, sendo por isso um amador daquele tipo de construção. Por sua vez o Titanic, que afundou na sua primeira viagem, foi construído por profissionais altamente especializados.»

Hoje medito sobre o aparecimento das religiões e sobre a forma que as mesmas foram tomando ao longo dos anos. No Cristianismo, a religião com mais praticantes entre nós, vemos cada vez mais profissionais. Padres, Pastores, Servos e outros que especializam-se em Institutos e Universidades criadas para ensinar a ministrar sobre esta religião.
A consequência ou o que resulta dessa especialização pode ser visto no império do Vaticano, com instituições bancárias próprias, bispos cardeais a viveram em luxosos apartamentos e com limusines à porta. O império de pastores, no mundo inteiro, onde os seus bens se avaliam em milhões de dólares e Ferraris e outras máquinas de exorbitante valor nas suas garagens.
E quando eu decidi pregar a Epístola ou Carta de São Tiago, fui chamado á atenção com a frase «Não podemos ser miserabilistas.» A única coisa que no momento me ocorreu é que não era a mim que chamavam miserabilista, mas a Jesus que pregou e levou uma vida muito diferente da dos líderes religiosos desse tempo e ainda mais diferente da vida dos atuais. Jesus que incentivou os seus seguidores a desprenderem-se dos bens materiais para o seguir. Jesus, que é  usado por padres e pastores para induzirem pessoas menos avisadas a alimentar o «polvo» que eles mesmo criaram.
Então, não me restou alternativa a seguir só no meu Cristianismo. Porque como costumo dizer sou um Fundamentalista (no bom sentido da palavra).


Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

terça-feira, 10 de outubro de 2023

As minhas fotografias

Uma das coisas que menciono no meu perfil é que gosto de fotografar. 

Não sou um especialista. Não viajo o suficiente para vos trazer aqui imagens de lugares que vocês não conhecem. Mas vivo com uma artista que gosta de pintar e de jardinar. Em qualquer destes passatempos é necessário colocar carinho e amor. Essa tem sido a base para muitas das minhas captações. Sem filtros, sem efeitos, mas sonhando e tentando reter nas fotografias aquilo que os meus olhos veem e amam.

Deixo aqui algumas das fotos mais recentes. O mérito partilho-o com a jardineira, Isa ou Zelinda Isabel, como preferirem.











Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida
autor de «O Olhar Da Vidente»
coautor de «Mudar Para Vencer!»


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Nunca reveles os teus sonhos... antes de os concretizares.

«Nunca reveles os teus sonhos.» 

Já tinha ouvido este conselho, se assim o podemos chamar, mais do que uma vez. O que me foi transmitido é que as pessoas podiam invejar-me e impedir o sonho de se materializar. Mas como eu valorizo pouco essas coisas do mau olhado, não prestei grande atenção.

Foi então que um dia me propuseram para uma tarefa que prontamente aceitei e passado pouco tempo, confessei mesmo a quem me convidara que era algo que me dava imensa satisfação fazer.

Desde esse dia, as dificuldades para executar as minhas funções, não só essa, mas essa também, aumentaram significativamente. Pedi ajuda diversas vezes e apesar de todos me dizerem que sim, ninguém me ajudava. Fiquei um pouco confuso sobre quais os objetivos de uma equipa que isola um dos elementos e, usando uma expressão do futebol, «não lhe passava bola».

Não demorei muito a perceber que não era bem vindo, não só na equipa, mas no clube em geral. Nos adeptos havia uma divisão entre os que me apoiavam e os que eram contra. Mas o golpe veio da própria equipa que tudo aproveitava para me culpar, embora nunca ninguém tivesse sido capaz de me apontar uma só falha. Para cúmulo, o treinador embarcou e publicamente desvalorizou todo o meu trabalho e foi mesmo mais longe quando me avaliou, sem sequer se ter informado a meu respeito.

Seguindo o meu bom senso, afastei-me. E depois de refletir um pouco, percebi que tudo havia sido meticulosamente planeado. Nada havia acontecido por acaso. Desde o dia em que aceitei o convite, eu havia entrado na «ratoeira». A minha boa fé havia-me traído. Tudo o que já me haviam acusado, injustamente, ficou claro para mim nesse momento. Ficou também claro o porquê de já em tempos passado ter sido confrontado com posições inquisidoras a meu respeito.

Hoje sigo só com o meu Deus e a minha família. Mais importante do que funções e clubes é a minha integridade perante o meu Senhor e a união da minha família. E sejam os clubes de futebol, de política ou de religião, nunca passarão de meras organizações de homens.

Nota do autor: Não foi num clube de futebol. Mas foi num «clube» que anos antes já havia rejeitado o meu filho e eu, confesso, nessa altura hesitei entre valorizar a análise dele sobre a má fé do que lhe fizeram ou se teria sido somente um mal entendido. Mas há «clubes» ou «sociedades», que cultuam homens e que são fechados a novos membros, embora preguem o contrário. 

Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

autor de «O Olhar Da Vidente»

coautor de «Mudar Para Vencer!»

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Cruzei-me com um mendigo

Eram oito e meia da manhã e saí para fazer uma caminhada por algumas ruas pouco movimentadas da pequena cidade onde moro. É quase um ritual diário, cuja exceção é o domingo e foi recomendado pela médica de família. Ao contrário de outros dias, cruzei-me com um pobre que estendeu a mão na minha direção. Não sei se é sem abrigo ou somente um humano a lutar pela sobrevivência neste mundo em que tantos não têm sequer o suficiente para se alimentarem.

Meti a mão ao bolso do fato de treino e encontrei duas moedas, que nem sabia que ali as tinha, pois não é meu costume levar dinheiro nas caminhadas matinais. Coloquei-as na sua mão dizendo que era tudo o que, naquele momento, tinha comigo. O homem ao agradecer sorriu para mim e percebi um brilho especial no seu olhar. Quando eu já desandava ouvi-o dizer: «Deus te abençoe!»

Já não fui capaz de olhar para trás. Fiquei simultaneamente comovido pela sua expressão, mas ao mesmo tempo revoltado pela necessidade de alguém ter de estender a mão para matar a fome. Senti uma dor no peito e sem explicação acelerei o passo. A imagem do pedinte, o seu sorriso e o seu olhar não saíam da minha mente. A recordação daquela frase final emocionava-me. Ele retribuíra aquilo que eu lhe dei com algo muito mais valioso, algo inestimável.

Dei por mim a entrar em casa sem me lembrar do percurso que fizera após aquele encontro. Foi então que sentado no sofá da sala e comovido, eu senti que me tinha cruzado com um representante de Deus na Terra. Porque segundo o que vi e ouvi nas igrejas Cristãs (Católica, Evangélica e outras) os representantes ou ministros de Deus na Terra são: o papa, cardeais, bispos, padres, pastores, servos e demais membros, mas as Escrituras Sagradas dizem-nos que é o Lázaro, o mendigo que se alimenta das migalhas que caem da mesa do rico, que vai para o céu e Jesus diz que quando fizeres bem ao pobre, ao necessitado, é a Ele que estás a fazer bem.

Então questionei-me o porquê de no Cristianismo os crentes terem tanta reverência com os líderes das igrejas? Não são eles líderes deste mundo? Até porque o apóstolo Paulo diz que o único mediador entre Deus e os homens é Jesus, o Cristo.

Hoje, se dúvidas tinha, foram esclarecidas.

(Lucas 16:19.22 - Mateus 25:35.40)

Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

autor de «O Olhar Da Vidente»

coautor de «Mudar Para Vencer!»

domingo, 2 de abril de 2023

Convite para o lançamento do meu 2º livro

Num espaço curto de tempo publiquei o meu 1º livro, o romance «O Olhar da Vidente»... 


... e logo de seguida o meu 2º livro, «Mudar Para Vencer!», que tem como subtítulo "Descomplicando a Gestão Logística através de casos práticos» e que foi escrito em coautoria com a Dra. Ana Margarida Branco.

É este 2º livro, «Mudar Para Vencer!», já disponível na Amazon, que vai ter o seu lançamento oficial no próximo dia 3 de maio de 2023, pelas 18h30 no ISCIA, em Aveiro. A apresentação do livro será feita pelo Sr. Engº. Ângelo Correia, figura pública do nosso país e que também é o autor do Prefácio desta obra.

Estás convidado. Aparece. Todos são bem vindos. (Entrada Livre.)

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

domingo, 15 de janeiro de 2023

Não foi só um sonho; foi um grande sonho

A meio do ano passado cheguei a pensar que seria mais um ano em que meu sonho ficaria na gaveta.
Mas eis que de repente levei um empurrão e arranquei com a sua realização e em Novembro dava graças a Deus ter concretizado os meus desejos.
Deixou de ser um sonho e passou a ser uma realidade. Deixou de ser algo só meu e passou a ser algo partilhado. O meu primeiro livro era publicado a 7 de novembro de 2022 e a 17 de novembro recebia os primeiros exemplares em papel. Não imaginam a alegria que senti. A satisfação de pegar no livro, olhando para a minha companheira, que me fotografava e filmava, também ela um fator importante nesta minha conquista; aliás, serei mais correto se disser que a conquista também é dela porque influenciou o conteúdo e esteve lá a incentivar-me quando hesitava e a empurrar-me para a publicação.
Apesar de ficção, tem muitas experiências vividas por mim (principalmente as profissionais) e por nós (nas nossas «viagens por outros mundos» enquanto casal). Depois um pouco de imaginação e pimenta, porque num bom prato português não podem faltar esses condimentos.
Mas de repente transformou-se num grande sonho. A 13 de janeiro de 2023 recebi os primeiros exemplares do meu segundo livro, escrito em coautoria, por vídeo conferência, ao longo de 2 anos (com algumas interrupções, claro). Começou ainda no tempo do aparecimento da pandemia de Covid 19 e finalizou o ano passado. É dirigido a um público que luta diariamente na busca da melhoria contínua nos seus processos industriais ou comerciais.
O meu sonho estava não só consolidado, mas alargado. E se o meu primeiro romance contém inúmeras descrições comportamentais e muitas emoções, o segundo, escrito em coautoria com a Ana Margarida Branco e com prefácio do Engº Ângelo Correia (empresário e ex-ministro da Administração Interna) é uma obra inspiradora. Ao contrário de muitos livros técnicos chega a ser divertido de ler. Mas as suas histórias são inspiradoras para uma empresa mudar, melhorar, persistir e vencer. O desafio colocado pelos autores é que o leitor consiga extrair dele o estimulo que lhe querem transmitir, tal com há muitos anos eu extraí um estímulo do livro «The Goal» de E. M. Goldratt.
A todos desejo boas leituras e desafio-vos a lerem os meus livros. O feedback que até agora me chegou de quem leu «O Olhar Da Vidente» posso dizer-vos, em verdade, que tem sido o melhor.

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida
autor de «O Olhar Da Vidente»
coautor de «Mudar Para Vencer!»




quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Realizei o meu sonho

Graças a Deus é a primeira expressão que me ocorre, no momento em que vejo realizado o meu sonho de publicar um livro. 
A 8 de novembro deste ano de 2022, aconteceu aquilo com que tantas vezes sonhei; publicar um livro. 
Há alguns anos comecei a escrever "O OLHAR DA VIDENTE". Um romance, totalmente ficção, mas que também refletia um pouco das minhas experiências de vida, quer na industria, quer no esoterismo.
Depois veio a pandemia e obrigado a ficar fechado em casa, não tive mais desculpa para não avançar na escrita do livro.
A seguir a fase de publicar. Revisto por um profissional e publicado com a ajuda de um mentor de autores, que desde já recomendo, o César Ferreira. Alguém que além do apoio, me incentivou a avançar. Também a capa, desenhada por uma profissional fantástica e com uma sensibilidade super, ficou espetacular: Sílvia Baião Ferreira. Fixem estes dois nomes, do César e da Sílvia e não hesitem em recorrer a eles para vos ajudarem, apoiarem e serem mesmo fatores importantes no vosso trajeto como escritores.
Chegou então o dia de o e- book ficar disponível e a sensação foi muito boa. O sonho estava realizado. Com a chegada dos primeiros exemplares em papel, no dia 17 de novembro, a minha realização atingiu o clímax.
Deixo a foto da capa. Aconselho uma visita à Amazon para lerem os primeiros capítulos online e de seguida adquirirem o livro. Vão certamente gostar do argumento e do final. 
Fiquem bem. 
Boas leituras.
Grato.
Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida
autor de «O Olhar Da Vidente»

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quinta-feira, 7 de julho de 2022

O meu sonho já tem quase meio século!

O meu sonho já passou a barreira dos quarenta anos.

Na altura não tínhamos televisão por cabo e muito menos internet ou smart phones. No canal 1 da televisão era preciso esperar pelo domingo à tarde para ver um filme. O canal 2 só iniciava a emissão às 18h e encerravam ambos às 24h.

Tive uma professora de português que provocou a nossa turma convidando-nos a entrar nas histórias que líamos nas suas aulas.

Para mim o comboio de Jacinto, personagem de A Cidade e As Serras de Eça de Queiroz, a entrar em Portugal, com o escritor a descrever as paisagens e até os aromas das aldeias do Douro, fez-me sonhar. A descrição da ceia de Jacinto em Tormes, levou-me a outra dimensão, a dos sabores e naqueles anos de parcos recursos, como era bom partilhar, mesmo que só em imaginação, a ceia com o personagem.

A partir daí continuei a ler outros livros. Nunca mais parei. E continuei a viver as histórias, como a professora me havia ensinado, ou seja, como um personagem adicional. Em determinado momento os meus sonhos não se confinaram aos livros que lia, mas a histórias que brotavam dentro de mim, como a água que sai naturalmente duma fonte, numa aldeia remota do nosso país.

Comecei a sonhar vir a ser um contador de histórias. Não ousava me comparar a Eça, a Júlio, a Camilo ou a qualquer outro. Sonhava somente em passar para o papel a minha imaginação. Fui escrevendo e guardando meia dúzia de contos ou de textos (hoje dir-se-ia posts). Só que os meus perderam-se no tempo.

Em 2007 comecei a escrever este blog. Metade dos posts apaguei-os passado algum tempo, mas outros não tive coragem de o fazer e permanecem com o subtítulo de Retalhos da Minha Vida.

Veio a pandemia em 2020 e terminei o meu primeiro grande livro, começado 3 anos antes. Em 2021, durante 3 meses escrevi o segundo, ambos com mais de oitenta mil palavras. Mas ainda não publiquei nenhum. Durante 2020 comecei um trabalho em coautoria. Desta vez um livro, com mais de trinta mil palavras, que além dos contos em si, tem também uma parte técnica sobre organização de processos logísticos e uma parte motivacional de incentivo, que pretende, além de tudo, ser inspirador.

E o sonho está prestes a realizar-se com a publicação deste último livro em coautoria, mas só estará totalmente realizado quando publicar os dois primeiros também. E já agora, quando terminar o que presentemente tenho em mãos e que é baseado em factos reais, por isso mais difícil ainda de escrever, porque há que disfarçar os locais onde se passa a história e principalmente não revelar os verdadeiros personagens.

Acredito agora, mais do que nunca, que brevemente completarei totalmente este sonho.

Domingos António Cabral

Retalhos da minha vida

sábado, 22 de maio de 2021

Gerir pessoas ou onde as empresas falham...

Independentemente da sua dimensão, as empresas são a imagem das pessoas que para elas trabalham, são os entendidos que o afirmam. De facto, na gestão moderna, os recursos humanos são um fator que muitas vezes marca a diferença na performance das diversas áreas das empresas. Nas certificações, nas políticas, nas agendas da gestão de topo é frequente usarem-se grandes parangonas elogiando os trabalhadores. Pena é que, grande parte das vezes, isto apareça porque as máquinas de marketing o impõem ou de uma forma mais simples, porque está na moda. 
As gestões de topo clássicas têm necessidade de passar a mensagem a todo o mundo de que são leitoras assíduas das revistas da especialidade e que leem as obras dos mais conceituados analistas. As gestões de topo clássicas raramente são capazes de mudar. Apesar das suas leituras, estão muito mais concentradas no seu umbigo. 
Geralmente usam um gestor de recursos humanos como se de uma secretária se tratasse. É o clássico “testa de ferro”, excecionalmente bem pago para não ter vontade própria. Incompetente natural. Usa de cinismo, prepotência e arrogância. Usa técnicas de pressão psicológica quando alguém tenta exprimir uma opinião contrária. O mais caricato no meio disto tudo é que estando consciente de que o seu comportamento é errado, exercita de tal forma o discurso que acaba por ser o único a acreditar em si próprio. 
Então as gestões de topo clássicas deixam andar, esquecem as teorias das revistas e dos autores consagrados por muito boas que sejam ou por muito convictos que estejam do seu valor e tudo vai por água abaixo. Evitam o mais possível o diálogo com as pessoas; chamando diálogo ao monólogo que insistem em ter sempre que há divergências. A insatisfação parece não as afetar, mas de facto, quando os resultados escasseiam, o seu desânimo torna-se transparente na sua expressão e não passa despercebido aos trabalhadores. O circulo de transmissão de emoções fecha-se e os desaires começam. 
Muitas vezes, a situação só não toma proporções catastróficas mais rapidamente porque em todas as empresas há sempre um grupo de pessoas com amor à camisola, que vão remando contra a maré, pelo menos até serem atingidos por algum disparo das gestões de topo clássicas ou dos seus gestores de recursos humanos, desesperados por verem despontar outros com verdadeiras capacidades de gestão...

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Inveja

Ouço dizer desde pequenino que a inveja é algo muito feio.
É, não só desejar o que os outros têm, mas ter pena por eles o terem e nós não.
É não sermos capazes de nos contentarmos com o que temos e desejarmos o que é dos outros ao ponto, por vezes, de termos vontade que algo de mal actue transferindo aquilo invejamos do seu dono legítimo para nós mesmo.

Confesso que, ao longo da minha vida, nunca vi nada nos outros que fizesse florescer esse sentimento dentro de mim. Aprendi a viver com pouco, a valorizar o pouco e a batalhar para realizar os meus sonhos sem que isso implicasse passar por cima de alguém ou desejar algo de mal a alguém. Talvez tivesse sido a minha infância no Porto, numa casa, onde nasci, que nem sequer tinha aquilo que hoje se considera as condições mínimas, que me fez ver o mundo de forma diferente. Diferente, mas sempre sonhando. Algumas vezes com bens materiais, mas outras sonhando com a extinção da exclusão social baseada em princípios meramente materiais.

Como é óbvio, durante a minha vida trabalhei e lutei por condições com que em pequenino sonhei. E no meu sonho estava sempre presente o fazer o bem, o partilhar, o ajudar o próximo em dificuldades. Ao longo da minha vida fui alcançando pequenas vitórias e transformando-as em grandes conquistas. E nesse percurso, como é óbvio, acabei por sentir na pele o que é ser invejado. Curiosamente as situações mais complicadas de inveja vinham sempre de pessoas a quem eu dava a mão e ajudava. Tempos depois, mais semana menos semana, eu recebia a paga, a inveja... parecia até que as pessoas ficavam ressentidas por eu ter sido capaz de as ajudar. Nunca compreendi o porquê...

Mas foi num ambiente diferente. Num ambiente de comunhão espiritual. Num ambiente Cristão que, há cerca de 3 anos, eu senti a maior injustiça provocada pela inveja. Eu senti na pele o que era estar a ser invejado pelo pouco que tinha e curiosamente, a ser invejado por quem muito mais tem. Foi num ambiente supostamente fraterno e onde se busca apoio para ultrapassar dificuldades de todo o tipo, que eu encontrei a mais alta carga de inveja, de toda a minha vida.

E Jesus manda perdoar... e eu confesso que sempre abafei o meu sentimento de mágoa e mesmo no dia a dia, nunca valorizei o que de mal me fizeram. Mas confesso que não esqueço Actos dos Apóstolos 20:29 "Eu sei que, logo após a minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho." A verdade é que paralelamente em mim cresceu a dúvida se não seria eu o infiltrado, se seria um rebanho ou um misto de alcateia e se estaria no "O Caminho" certo... Por isso preocupei-me mais em seguir a minha consciência, porque como dizia Lutero: "Como Cristão agirei sempre em consciência e que Deus me ajude."

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

domingo, 9 de junho de 2019

Ida à Praia do Molhe

No Verão dos meus tempos de meninice, por volta das 06h30 lá ia eu da Rua de São Dinis até è rotunda da Boavista a pé, com a minha mãe e aí apanhava o elétrico para a Foz. Saíamos na Praia do Molhe; era esse o nosso destino.

Depois de quase 2 quilómetros a pé, esperávamos cerca de 10 minutos pelo elétrico e a bordo seguia-se um quarto de hora pela Avenida da Boavista, Castelo do Queijo e Avenida Montevideu.

Confesso que gostava da praia, principalmente na maré baixa com os rochedos à vista e as pequenas poças onde eu chapinhava na água salgada. Mas era a viagem de elétrico a parte mais emocionante. Aquela imensa Avenida da Boavista, com as árvores a passarem por nós em sentido contrário, os casarões enormes com grandes muros e portões altos de ferro e o Sol que naquela Avenida tinha um brilho especial. Era outro mundo, muito diferente do local onde eu tinha nascido e morava.

Por volta do meio dia iniciava-se o percurso inverso e eu aproveitava todos os minutos a bordo do elétrico, porque sabia que chegados à Boavista iniciar-se-ia a parte mais dolorosa do dia. É que com o Sol de Verão mesmo por cima das nossas cabeças, as temperaturas subiam muito, não havia sombras e a frescura física matinal também já tinha ido. A Avenida da França era, aquela hora, muito mais longa e o Carvalhido parecia que se movia na nossa frente para não ser alcançado. Mas quando ultrapassado, ainda restava a subida da Rua da Natária e parte da rua de S. Dinis.

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 8 de abril de 2019

No meu tempo de juventude…

No meu tempo de juventude, na minha rua, os putos eram o que eram, miúdos irrequietos, gostavam de jogar à bola (algo parecido com futebol, mas com uma bola de trapos e as pastas da escola a servirem de postes das balizas), de ir para o café falar de política, embora pouco percebêssemos porque o 25 de abril de 1974 só tinha ocorrido 3 ou 4 quatros anos. Frequentar o primeiro Shoping Center da cidade, o Brasília e andar nas escadas rolantes, na altura novidade por cá.

Não me lembro de nenhum colega meu que frequentasse aulas de ballet… era uma sorte que tínhamos nesses nossos tempos, já na juventude do meu filho não era assim e eu sentia alguma dificuldade em compreender porque os pais faziam tanta questão de mandar os filhos e filhas para o ballet… costumava mesmo dizer que se avizinhava um país de bailarinos e bailarinas no futuro. E ria cá por dentro quando via aqueles miúdos, mais gorditos, de collants a esconderem-se no banco de trás do carro dos pais, quando estes paravam a falar comigo. E os putos, mal atingiram aquela fase de contrariarem e discutirem com os pais, saíram todos do ballet, felizmente para eles. Não tenho nada contra o ballet, principalmente para quem tem vocação, mas cá na terrinha, anda-se por modas ou porque o vizinho faz eu também tenho que fazer… por isso na Associação de Pais a que pertenci eu notava que as pessoas não me compreendiam, eu não andava em função de ninguém ou mesmo de invejas, para ser mais objetivo…

Eu ia para a escola de sapatos de lona, nada mau e um sobretudo roto ou melhor cozido numa manga que servia de chacota para alguns colegas meus, mas só até um dia… aquele dia em que lhes mostrei o remendo da minha manga em close-up. A partir desse dia passou a ser normal. Se fosse hoje até seria moda ir de roupa rota para a escola, nem sequer remendada… quando vejo alguns jovens de calças rotas dá-me vontade de os mandar, a eles e aos pais, se calhar mais às mães, a uma consulta de psiquiatria.

A comparação seguinte que ia fazer era a do lanche, mas desisti. Desisti por falta de elementos para comparação. No meu tempo felizes eram os que levavam lanche. A maioria limitava-se a esperar pela hora das refeições principais. Mas tinha uma vantagem, eramos muito menos esquisitos. Um dia destes o meu filho dizia-me não gostar de salsichas e eu pensava que bom que era para mim darem-me duas salsichas, daquelas pequenitas de lata, com um prato de puré de batata, porque a maior parte das vezes o puré aparecia sozinho à minha frente e eu como bom cristão, acolhia-o de braços abertos ou neste caso de boca aberta. Dizia a minha mãe: “ele gosta muito de puré”, claro não havia mais nada.

Mas estes episódios fizeram-me crescer e ser mais forte. Da minha geração muita gente emigrou. A onda de emigração já tinha começado quinze ou mais anos antes. Eu quis ir voluntário para a Força Aérea, sabendo que podia frequentar um curso de formação útil para o meu futuro, mas a minha mãe não deixou, porque nesses anos, os mais velhos ainda sofriam do síndroma da guerra colonial e a tropa era um destino tenebroso aos olhos das mães que viam os filhos partir. Mesmo depois da guerra ter terminado o estigma permanecia sobre a tropa. O meu futuro era assim condicionado porque, na altura, os meus direitos eram os de obedecer aos meus pais. Tive que procurar a auto-suficiência económica para poder romper os laços que me amarravam e não me deixavam aprender a caminhar por caminhos escolhidos por mim.

Comecei a conhecer então outro tipo de avaliação, principalmente paterno. Chegar mais tarde a casa significava ser "insurra" (a palavra em português que o meu pai pretendia era insurreto). Ter uma opinião sobre política diferente da dele, mesmo que a maior parte das vezes fosse ténue a diferença, era ser comunista. Não acreditar em princípios tradicionais do polvo católico dirigido pelo Vaticano era ser Testemunha de Jeová. O curioso é que o meu pai não era propriamente um frequentador assíduo da igreja católica e a minha mãe então muito menos. O meu pai passou a ser amigo do abade cá da terra, após ficar viúvo e precisar de apoio para ao final de 15 dias da minha mãe ter sido sepultada já andar com outra mulher. E claro que quando disse ao abade que o filho era comunista e Testemunha de Jeová, ganhou um aliado. Mais forte ainda deve ter sido essa aliança quando o dito abade soube da minha amizade com um dos poucos padres que lhe faziam frente, não teologicamente, mas sim na gestão dos crentes e distribuição de sacramentos.

Via há momentos um vídeo no Youtube dos desenhos animados Heidi. E de facto foi uma série com muito êxito na minha juventude. Nós compreendíamos a personagem que era feliz com tão pouco (materialmente). Como o amor do avô e a vida simples do campo, junto de animais e da flora natural eram mais importantes do que tudo o resto. Como uma simples e sincera amizade vivida pelos personagens motivava as crianças de então. Apesar de estarem no primeiro nível da pirâmide de Maslow, os personagens de Heidi atingiam os patamares mais elevados da dita e punham em causa, sem saber, as teorias aceites por tantos cientistas da MIT.

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Sonho ou pesadelo...

Durante o sono, sonhei, mas terá sido sonho ou pesadelo? Durante as horas de repouso, através da minha mente algo me foi revelado. Não vou ousar interpretá-lo, mas desafio-vos a meditarem e procurarem a resposta nos vossos corações, porque um dia me disseram que as interpretações corretas eram as que eu mesmo descobria, quando conseguia meditar e focar-me no Deus que se fez Homem e habitou entre nós.

As nuvens dissiparam-se na minha frente e vi uma igreja. Não me recordo do edifício ou da porta, mas sabia que era local de culto. De repente encontrei-me no seu interior. Não vou descrever pormenores da igreja, porque entendo que pode ser qualquer uma. As mensagens Divinas são transversais a todos aqueles que creem independentemente de estarem mais perto ou mais longe da Verdade que Ele nos revelou, mais perto ou mais longe d’Ele, porque só Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”.

No templo de adoração os convidados para a ceia acotovelavam-se uns aos outros na ansiedade de serem os primeiros a ser servidos. Esqueciam que o Primeiro foi o que serviu e não o que foi servido. Cânticos e orações ecoavam nas paredes, mas não conseguiam abafar totalmente alguns murmúrios.

Vi ao fundo a mesa posta, mas o meu olfato não captava qualquer odor a pão ou a alimentos. No entanto a imagem era convidativa. Na mesa, os alimentos resplandeciam e uma réstia de sol que entrava pelas janelas expunha o rosado do vinho.

Comecei a caminhar pelo corredor central, em direção ao púlpito que se encontrava ao lado da mesa, mas quanto mais passos dava mais longo era o caminho. Não estava num tapete rolante em sentido contrário, mas quando olhei para os meus pés vi que estava descalço e não saía do sítio. Naquele momento senti um certo embaraço e procurei ver se alguém me observava, mas dentro de mim uma voz me questionou porque é que estava preocupado com o mundo?

Eu sei que queria chegar à mesa, que já estava rodeada por muitos, mas não conseguia vencer a distância. Dei comigo a mastigar aquilo que via ao longe, aqueles alimentos brilhantes e bonitos à visão humana e algo me voltava a questionar, se era mesmo aquilo que queria? Não tem odor, não tem sal. Então percebi que a comida, cujo odor não chegava a mim, também estava insossa.

Parei de caminhar e fechei os olhos. Quando os abri, vi que junto a mim tinha uma outra mesa. Vários ingredientes dos quais logo se destacava o saleiro e a farinha. Então senti vontade de cozinhar o meu próprio pão. Meti, por assim dizer, as mãos à massa. Não demorou muito que se espalhasse pela sala o aroma a pão fresco. 

Alguns dos convidados abandonaram a mesa à distância e vieram até à minha. Outros continuaram lá a acotovelarem-se e a ingerirem grandes quantidades do que havia. Reparei então que uma garrafa grande, maior do que é habitual, de vinho tinto que estava já aberta à minha direita e senti vontade de verter o néctar num copo e antes de o partilhar com os que me rodeavam, pegar nele e dar graças ao Criador. Obrigado Jesus pelo sangue que derramaste na cruz! 

Senti que Aquele em quem eu creio, ao ver o meu espanto e a minha dificuldade em decifrar o momento, sorria para mim…

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

Bíblia Sagrada, Livro de Atos dos Apóstolos 2:17 "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos;"

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Classe de gente frustrada e improdutiva que não se sabe comportar

Entravam habitualmente naquele restaurante. Inicialmente consumiam um menu reduzido, mas com o tempo e um pouco encostados à ideia que numa diária se pode consumir tudo pelo mesmo preço, tipo vale tudo, foram-se alargando. Testavam quase diariamente o dono do restaurante, incluindo algo novo no menu, pedindo uma segunda sopa, uma cerveja extra, um vinho, enfim... E aquele homem que os atendia e que muitos dias era obrigado a fazer das tripas coração, tudo aguentava. Queria no mínimo manter o negócio; muitas vezes mesmo com prejuízo.

Um dia testaram a hipótese de partilhar um prato do dia e baseados na tal teoria, pediram uma sopa em dois pratos, para as duas pessoas... Esticavam a corda. O atendimento mantinha-se e aquele homem, mais culto do que eles, apesar dos "canudos" que ostentavam, "dava a outra face". E ao mesmo tempo aguentava a pressão da mulher que na cozinha se revoltava com o que se passava na sala e o filho que apelidava aqueles clientes, que ele bem conhecia, com um nome muito feio que se dá a pessoas cuja vida é explorar outras que trabalham em profissões pouco dignas.

Um dia a mesa era composta de cinco pessoas. Foram servidas quatro doses, sendo que uma era a tal da partilha. Essa partilhada era de salada de atum com feijão frade. Colocada a travessa na mesa, uma das pessoas (não as que iam partilhar) retirou uma azeitona da travessa com a mão, comeu-a e colocou o caroço numa beira da travessa; talvez porque lhe tivesse sabido bem e enquanto aguardava a chegada da sua dose, comeu uma segunda azeitona e repetiu a cena.
Servidas todas as doses, o pessoal começou a tirar a comida para os pratos. Subitamente o empregado de mesa foi chamado e deparou-se com uma reclamação. "Veja o que se passa na cozinha que esta travessa traz dois caroços de azeitona." Desesperado, sem saber como responder sem ferir a sensibilidade das pessoas, ele foi para trás e conferiu tudo. Naquele dia já haviam saído três doses do mesmo prato e as travessas encontravam-se, tal como haviam sido levantadas das mesas, no balcão da "copa suja". O sistema de "poka-yoke" que ele havia implementado e que consistia em ter num recipiente o número de componentes que precisava para as doses que se propunha fazer, garantindo que nada faltava e era colocada a quantidade certa, estava correcto. Tinha previsto quatro doses, haviam saído três mais a tal, o que dava precisamente quatro e o recipiente que tivera dezasseis azeitonas estava vazio. Numa tentativa de ver se a pessoa que havia consumido as azeitonas se acusava e limpava a imagem do estabelecimento, voltou à mesa e garantiu que o prato tinha trazido as quatro azeitonas, até porque a decoração era standard... Mas a pessoa não se acusou e exigiram a troca do prato, por outro diferente (carne)...

O homem apercebeu-se que uma das outras pessoas tinha ficado ruborizada e pensou que até final da refeição tivesse coragem para influenciar a pessoa que comeu as azeitonas a acusar-se. Mas não... Naquele dia o ambiente esteve pesado até eles abandonarem. E já depois de saírem, um outro cliente que havia presenciado a cena acalmou o homem que, chocado com a atitude deles, até a saliva lhe custava a engolir. Esse vira tudo, mas quando solicitado a testemunhar, somente para esclarecer, recusou-se: "Por favor não me envolva com essa gente"... Essa gente, foi como se referiu a eles...

O que mais me custa é que é nas mãos destas pessoas sem princípios que muitas vezes somos obrigados a confiar os nossos filhos para que os ensinem... Sim, ensinem... O quê?... Só mesmo as matérias técnicas, digo eu... E desde esse dia não mais voltaram a entrar naquele estabelecimento. A cozinheira acredita que tudo foi premeditado ou que, pelo menos, eles tenham descoberto e tido vergonha de voltarem... Aquele homem, o empregado, conhece tão bem as pessoas que não acredita que esses tenham vergonha de coisa alguma. O que aconteceu foi que Deus os afastou, não deixando que continuassem a humilhar o Seu povo, ou pelo menos a tentar...

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

terça-feira, 16 de maio de 2017

O mais difícil é perdoar...

Gosto de ver a vida como um passeio, numa rua à beira mar. Nessa rua cruzamo-nos com muitas outras pessoas. Mas nem todas passeiam. Algumas passam por nós a um ritmo tão alto que quase não conseguimos vislumbrar os seus rostos de sofrimento. Outras passeiam, mas não desfrutam da paisagem; não valorizam o relaxamento que, ao perto, o bater das ondas na areia pode trazer ao nosso interior, nem a beleza estonteante do verde das serras, que lá ao longe, toca o nosso pensamento. Algumas focam-se nas pessoas com quem se cruzam para lhes lançar brita ou cascas de banana aos pés e desfrutarem de um prazer absurdo de ver os outros tropeçar, escorregar ou até cair.

É sobre este tipo de pessoas que eu hoje medito. Não compreendo o gozo que o sofrimento dos outros lhes dá. Principalmente porque, se alguém sofre ao meu lado, eu sinto tristeza e solidariedade; a única vontade que tenho é de ajudar e demonstrar o meu apoio e oro a Deus para que alivie esse fardo de quem sofre...

No entanto e a título de exemplo contar-vos-ei de seguida uma história verídica, que se passou há já 5 anos (mais ou menos).

Dois "amigos" entraram no meu estabelecimento numa noite em que não havia movimento algum; a casa estava vazia. Repararam que coloquei amigos entre aspas? Porque eles fingiam-se amigos um do outro; mas nas suas discussões jamais se apoiavam; guerreavam frequentemente por fazer prevalecer a sua opinião. E nas costas um do outro falavam mal e punham a descoberto a vida privada do seu opositor. Nessa noite eles permaneceram no estabelecimento das 22h00 às 02h00 do dia seguinte. Durante essas 4 horas consumiram somente 2 finos cada um. Eles viam que eu só aguardava a sua saída para encerrar o estabelecimento. O meu filho que na altura tinha uns 14 anos debatia-se com o sono. Sentamo-nos numa mesa e aguardamos que eles se dignassem sair, uma vez que já tinham parado de consumir. O Tiago acabou adormecendo sentado e com a cabeça pousada numa mesa. Um deles, que estava virado para o nosso lado ia fazendo o relato ao outro, que virava ligeiramente a cabeça e olhava de soslaio. De seguia sorriam um para o outro e continuavam na sua conversa sobre não sei o quê, que não os ouvia, mas devido a longas interrupções não devia ser muito importante. E só pelas 02h00 é que se levantaram, vieram pagar, pegaram na factura e saíram... Não eram pessoas incultas, porque um era professor do 3º e 4º ciclos e o outro um quadro técnico experiente, que por vezes viajava pelo mundo...

Felizmente no nosso passeio há pessoas que caminham ao nosso lado. Há pessoas que como nós se preocupam em ajudar e em ser solidários. Esse passeio, quando analisado em toda a sua extensão, não deixa de ter momentos de fraqueza em que precisamos de um ombro amigo ou de uma palavra encorajadora. Mas mesmo quando estou só, eu busco essa palavra nas Escrituras Sagradas. Eu procuro aí apoio para ultrapassar as pedras e as cascas que atiram para a minha frente. E como não basta ler e é preciso praticar, eu procuro perdoar como o Mestre mandou... Mas confesso que em algumas situações e principalmente quando mexe com o meu filho é mesmo muito difícil...

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

quinta-feira, 2 de março de 2017

Os falsos foliões

Carnaval diz-se que é tempo de folia e divertimento. Apregoado pela comunicação social que assim estimula estas festividades. Desfiles no domingo anterior e no próprio dia de carnaval celebram o mundo carnal. Mais grave, celebram muitas vezes o deboche e o excesso. Mais recentemente vemos nesses desfiles autênticos cultos ao diabo e à morte. Curiosamente as pessoas apelidam esses desfiles de celebração da vida.

Eram cerca das 03h00 da madrugada, regressava a casa depois de ter estado a trabalhar, porque em 32 anos na actual terra em que o carnaval é famoso, nunca o festejei e nunca assisti aos desfiles do corso. Embora muitos que me conhecem me critiquem, eu só me preocupo com o meu comportamento perante Aquele que ninguém engana, porque lê os nossos corações. Mas regressava a casa e o que conseguia ver nas ruas eram pessoas aos gritos com bebidas alcoólicas na mão; pessoas que desfilavam com trajes mais rebuscados ou simplesmente improvisados, mas com o seu semblante sério, infeliz, por vezes mesmo zangado; pessoas caídas nos passeios, perdidas de bêbadas e já sem qualquer controlo sobre si mesmo e sobre as suas funções racionais (por vezes acompanhados dos "amigos" que se riam deles... e coloquei amigos entre aspas...).

Pensei comigo mesmo se aquilo era de facto alegria e folia, ou se não seria mais o cumprir uma tradição pagã, entregando-se por inteiro a práticas lamentáveis e reprováveis em termos sociais, já nem falo religiosas. Não consegui ver alegria em ninguém. Vi actores a desfilarem. Vi cultos esquisitos e demoníacos. Vi perda de dignidade. Vi homens pintados e vestidos como mulheres e mulheres vestidas de homens com bigodes postiços. Vi pessoas a cultuarem tudo menos a vida digna e alegre. 

E senti-me um estranho. Sei que mesmo estas linhas que hoje escrevo receberão mais reprovação do que aprovação. Mas fico feliz por, apesar de todas as dificuldades na minha vida, sentir que não faço parte deste mundo e recordo as palavras do meu Mestre:

"Se o mundo vos odeia, sabei que, antes de vós, odiou a mim. Se fôsseis do mundo, ele vos amaria como se pertencêsseis a ele. Entretanto, não sois propriedade do mundo; mas Eu vos escolhi e vos libertei do mundo; por essa razão, o mundo vos odeia." (Palavras de Jesus) Evangelho de João 15:18.19

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Na semana passada as provações continuaram...

Eu sempre senti que quanto mais falo das Escrituras a mensagem delas se torna mais visível, mais clara, aos meus olhos e ao meu entendimento.
Na quinta-feira passada estive quase uma hora a falar das Boas Novas de Jesus e a explicar pormenores das Sagradas Escrituras. Foi um tempo edificante. Mesmo quando explicamos a alguém, algo que dominamos, nós continuamos também a aprender. Sentimos a nossa fé firmar-se.

Claro que há uma entidade a quem não agrada esta nossa postura. Fica chateado com o nosso crescimento espiritual e furioso por o rejeitarmos e seguirmos o nosso querido Mestre, Jesus. Estava a referir-me ao "inimigo", aquele que conhece Deus e que sabe que está condenado, que quando Jesus vier o seu reinado irá terminar de vez. Então tudo faz para nos abalar. E na passada quinta-feira, final do dia, ia eu tranquilamente numa ciclovia quando um automobilista, alegando que não me viu, atravessou a sua viatura à minha frente e eu não o conseguindo evitar, acabei a bater com a cara no chão. Sangrei muito, mas muito menos que Jesus. Sofri um bocado, mas nada que se compare ao que o Mestre sofreu. E no final, horas depois e depois de um TAC à cabeça, umas radiografias ao nariz e uma ida ao Otorrinolaringologista, nada tinha partido; somente alguns hematomas.

Uma conversa com o meu Pastor e Guia Espiritual e um pouco de reflexão sobre o assunto e ficou claro para mim que o inimigo magoa, mas Deus coloca a sua mão e quando não evita, ameniza o nosso sofrimento. E esses momentos que tantas vezes gostaríamos de evitar, acabam por ter um papel muito importante na consolidação da nossa fé. Nesse mesmo dia, no meu quarto, eu gritei bem alto com Satanás e disse-lhe que não levaria a melhor e orei ao meu Jesus, louvei-O, exaltei-O e agradeci-Lhe o estar sempre comigo.

No domingo fui solicitado para ler uma Palavra das Escrituras Sagradas e fazer uma oração. Li o Salmos 117, porque é uma exortação a todos para louvarem o Senhor e porque testifica a fidelidade do nosso Deus (o Único Verdadeiro) para com o seu povo. Depois durante a oração, a emoção embargou-me as palavras e tive que fazer uma pausa e reordenar os meus pensamentos. De regresso ao meu lugar, a emoção fez-me chorar. Sentei-me e chorei de alegria por sentir as minhas forças renovadas pelo meu Deus... E acredito que aquele irmão que me chamou para orar, agiu por acção do Espírito Santo, porque eu precisava desse choque para me desprender de vez desse acontecimento e seguir em frente.

Domingos António Cabral
Retalhos da minha vida