Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Gerir pessoas ou onde as empresas falham

Independentemente da sua dimensão, as empresas são a imagem das pessoas que para elas trabalham, são os entendidos que o afirmam.
De facto, na gestão moderna os recursos humanos são um factor que muitas vezes marca a diferença na performance das diversas áreas das empresas.

Nas certificações, nas políticas, nas agendas da gestão de topo é frequente usarem-se grandes parangonas elogiando os trabalhadores. Pena é que, grande parte das vezes, isto apareça porque as máquinas de marketing o impõem ou de uma forma mais simples porque está na moda. As gestões de topo clássicas têm necessidade de passar a mensagem a todo o mundo de que são leitoras assíduas das revistas da especialidade e que lêm as obras dos mais conceituados analistas.

As gestões de topo clássicas raramente são capazes de mudar. Apesar das suas leituras estão muito mais concentradas no seu umbigo. Geralmente usam um gestor de recursos humanos como se de uma secretária se tratasse. É o clássico “testa de ferro”, excepcionalmente bem pago para não ter vontade própria. Incompetente natural. Usa de cinismo, prepotência e arrogância. Usa técnicas de pressão psicológica quando alguém tenta exprimir uma opinião contrária. O mais caricato no meio disto tudo é que estando consciente de que o seu comportamento é errado, exercita de tal forma o discurso que acaba por ser o único a acreditar em si próprio.

Então as gestões de topo clássicas deixam andar, esquecem as teorias das revistas e dos autores consagrados por muito boas que sejam ou por muito convictos que estejam do seu valor e tudo vai por água abaixo. Evitam o mais possível o diálogo com as pessoas; chamando diálogo ao monólogo que insistem em ter sempre que há divergências. A insatisfação parece não as afectar, mas de facto, quando os resultados escasseiam, o seu desânimo torna-se transparente na sua expressão e não passa despercebido aos trabalhores. O ciclo de transmissão de emoções fecha-se e os desaires começam.

Muitas vezes, a situação só não toma proporções catrastóficas mais rápidamente porque em todas as empresas há sempre um grupo de pessoas com amor à camisola, que vão remando contra a maré... Até quando? Até as forças lhes faltarem ou até serem atingidos por algum disparo das gestões de topo clássicas ou dos seus gestores de recursos humanos, desesperados por verem outros que, apesar de muito mais humildes, têm verdadeiras capacidades de gestão...

Que Deus abençoe todos os que pugnam pela verdade e pela justiça social. "Felizes os famintos e sedentos de justiça porque serão saciados." (Mt 5:6)

Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

Mudar para vencer

Hoje choveu... O Verão parece que se quer ir embora e o Outono dá um ar da sua graça. Foi talvez este decréscimo de luz, acompanhado de chuva, que mexeu com o meu estado de espírito e me deu vontade de voltar ao meu blog.
Não tinha abandonado o blog, não tinha deixado de escrever. Ao longo destes meses em que nada publiquei fui desabafando com o papel (como eu diria há uns anos) e fui guardando os textos na gaveta (gaveta que hoje é o "disco duro" do computador).
Foram meses de mudança. Uma mudança radical. Uma mudança arrojada. Uma mudança planeada ao longo de mais de um ano. Mesmo assim, uma mudança difícil, cujas consequências podem ser muito boas ou muito más no médio prazo. Nada é ou voltará a ser como dantes.
Para ser sincero, não tive muitas surpresas. Tudo o que aconteceu durante esta mudança e ainda está a acontecer foi por mim previsto. Para isso me preparei. Mas, por melhor que sejam as nossas previsões e por melhor que estejamos preparados, acabamos sempre por ser confrontados com surpresas e aqui e ali nos sentirmos abalados...
O tempo consumido nesta mudança é, sem dúvida, o factor para o qual estava menos preparado. Este projecto obrigou-me a abdicar daquele tempinho pessoal, de concentração e meditação, que eu tanto valorizava. Por outro lado, ajudou-me a clarificar ideias sobre o mundo à minha volta e se dúvidas eu tinha, as mesmas foram definitivamente clarificadas.
Neste mundo de crise, de correrias, de invejas, de disputas, eu sinto-me hoje mais maduro e mais auto-confiante. Em alguns casos testei os meus limites (físicos e psicológicos). Não foi (não está a ser) fácil, mas quando penso em desistir acabo por encontar forças para lutar e quando penso que não é possível, arranjo mais forças para voltar à luta... Uma luta que quero vencer. Se vou ser capaz não sei... Acredito que sim, porque sei que há anjos que me protegem e me ajudarão a vencer! Vencer por bem. Vencer com alegria. Vencer com aqueles que como eu acreditam num mundo melhor...

Domingo, 27 de Dezembro de 2009

S. Martinho do Porto

Em termos paisagísticos somos, sem dúvida, um país previlegiado.

Costa Atlantica a Poente e a Sul; serra da Estrela, no centro; Parque Natural do Gerês, no Norte; planícies Alentejanas no Sul; praias com influência Mediterranea no extremo Sul; e mais, muito mais...

Em qualquer destes sítios nos deparamos com paisagens belíssimas que nos impossibilitam eleger uma delas como a mais bonita do país... Por isso, à semelhança do que temos vindo a fazer, limitamo-nos a trazer mais uma sugestão para um passeio agradavel, desta vez à beira mar...

São Martinho do Porto, na costa ocidental e numa zona que consideramos centro, é uma povoação típica pela sua baía Atlantica natural...

Melhor que mil palavras é uma imagem... Mas não nos quisemos ficar por uma imagem e da nossa visita a este local, seleccionamos quatro imagens...

A famosa baía e o seu ponto de ligação ao Oceano Atlantico:

A vista Norte da baía:

A vista Centro da povoação, à beira-mar:

A vista Sul de S. Martinho do Porto:

Esperamos que gostem destes quadros naturais e se ainda não visitaram, vão ver, porque ao natural ainda é mais bonito do que em fotografias...

Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

A cultura de um povo

É habitual dizer-se que a cultura define o povo ou o país.

Portugal é dos países mais antigos da Europa. Já há mais de 800 anos que Afonso Henriques proclamou a sua independência de Castela (Espanha)...

Durante vários séculos o povo Lusitano enfrentou os mares e foi à procura de novos mundos, tendo deixado marcas nos 5 continentes.

Mas internamente, no território nacional que vai do Minho ao Algarve e dos Açores à Madeira, muitas manifestações culturais nos deixam orgulhosos... Monumentos variados, dos quais eu destacaria os mosteiros da Batalha e dos Jerónimos, igrejas e catedrais, festejos populares como por exemplo o Santo António em Lisboa ou o São João no Porto e Braga, mas ainda o Carnaval que de Ovar a Loulé ou ao Funchal, passando por muitos outros locais, com raizes e marcas de há longos anos, dão-nos muitas datas ou eventos para comemorar...

Muito mais poderiamos dizer sobre o nosso património cultural, afinal somos o povo de onde emergiram Eça de Queiroz, Luis Vaz de Camões, Júlio Dinis, Pedro Homem de Melo e muitos mais...

Mas também somos o povo de onde saiu Saramago, que às vezes tenho dúvidas se o devo considerar português ou espanhol. Somos o povo onde os jogadores que o Brasil não quis para a sua selecção têm lugar cativo na nossa, mesmo em baixo de forma. Somos o povo onde alguns se mascaram a 31 de Outubro para celebrar "O dia das bruxas", cuja origem é americana e que os EUA (país com pouco mais de 200 anos) exportam para os países terceiro mundistas e carentes de eventos culturais próprios e que incompreensívelmente alguns portugueses teimam em transformar em evento nacional.

Mais do que nunca temos que pugnar pela nossa diferença e pelos nossos valores, por aquilo que é nosso e promovê-lo...

Deixemo-nos de ser moços de recados dos outros e andarmos por aí a promover a cultura deles...

Tenhamos orgulho na língua portuguesa e não sejamos vulgares papagaios discursando em espanhol quando estamos em Espanha...

Viva o Português ! Viva Portugal !

Domingo, 18 de Outubro de 2009

Lembranças...

Faz hoje 50 anos o Telejornal da RTP.
Foi interessante ver as imagens em directo e se para nós técnicos, que gostamos de ver a evolução da tecnologia, é fantástico comparar as imagens dos equipamentos antigos e actuais, não consegui deixar de reparar na simplicidade do mobiliário de então e na falta de meios com que os primeiros jornalistas eram confrontados.
Depois de meditar um pouco sobre os últimos 30 anos, cheguei à conclusão que a evolução é notória em todos os aspectos do nosso dia a dia...
Recordei-me da altura em que na rua do Porto onde eu morava, havia somente um carro ou dois estacionados e mais recentemente, quando lá me desloquei tive que ir parar dois quarteirões à frente, porque não havia lugares de estacionamento... E foi só há 30 anos!
Também há 30 anos o homem foi à Lua pela primeira vez!
Lembrei-me de quando fiz jornalismo, de ter que escrever tudo à máquina, usar corrector ou simplesmente rasgar a folha e usar uma nova quando me enganava... E agora a facilidade que é usar um processador de texto... E foi só há 26 anos!
Lembrei-me dos primeiros computadores que muitas das vezes deixávamos a trabalhar durante a noite, dado o tempo de processamento ser lento e que algumas das primeiras máquinas nem disco rígido tinham... E foi só há 24 anos!
Depois vieram os computadores portateis, a internet, os telemoveis, os gps, e tantas outras máquinas que mudaram a nossa vida. As viagens espaciais fazem-se em naves parecidas com aviões que retornam e se chamam "vai-vem espacial"...
Muito mudou... Mas o essencial continua igual.
Os seres humanos continuam a enganar-se uns aos outros. Continuam a defender teorias, mas cobardemente a não colocar as teorias em prática. As igrejas, que transmitem mensagens bonitas, acabam a lutar pelo poder e pela sua supremacia económica a qualquer custo.
Continua a haver pobreza; cada vez há mais. As diferenças de classe acentuaram-se. Os extremos políticos tocaram-se; e os ditadores de esquerda comportam-se como os de direita; são ambos impiedosos com o povo.
O nosso planeta é mais agredido do que nunca...
Tanto podia ainda dizer, mas prefiro olhar o futuro com esperança...
Prefiro manter a crença de que uma geração virá e descobrirá que de facto somos pó e ao pó voltamos; que o céu e inferno são só cenários criados para condicionar a mente e a liberdade das pessoas nesta vida. Descobrirá que é nesta vida que temos que lutar para ser felizes e que só seremos felizes se o mundo inteiro for feliz...
Quando de facto os seres humanos viverem em harmonia com o planeta. Quando não houver lutas de classes, luta entre raças; quando não houver fome, seja física, seja de justiça, então sim a felicidade dos seres humanos atingirá niveis que a nossa imaginação hoje não consegue alcançar!
Lutemos pela harmonia, pela felicidade, pela solidariedade, pelo amor ao próximo... Comecemos já hoje a lutar por um mundo novo...