terça-feira, 16 de maio de 2017

O mais difícil é perdoar...

Gosto de ver a vida como um passeio, numa rua à beira mar. Nessa rua cruzamo-nos com muitas outras pessoas. Mas nem todas passeiam. Algumas passam por nós a um ritmo tão alto que quase não conseguimos vislumbrar os seus rostos de sofrimento. Outras passeiam, mas não desfrutam da paisagem; não valorizam o relaxamento que, ao perto, o bater das ondas na areia pode trazer ao nosso interior, nem a beleza estonteante do verde das serras, que lá ao longe, toca o nosso pensamento. Algumas focam-se nas pessoas com quem se cruzam para lhes lançar brita ou cascas de banana aos pés e desfrutarem de um prazer absurdo de ver os outros tropeçar, escorregar ou até cair.

É sobre este tipo de pessoas que eu hoje medito. Não compreendo o gozo que o sofrimento dos outros lhes dá. Principalmente porque, se alguém sofre ao meu lado, eu sinto tristeza e solidariedade; a única vontade que tenho é de ajudar e demonstrar o meu apoio e oro a Deus para que alivie esse fardo de quem sofre...

No entanto e a título de exemplo contar-vos-ei de seguida uma história verídica, que se passou há já 5 anos (mais ou menos).

Dois "amigos" entraram no meu estabelecimento numa noite em que não havia movimento algum; a casa estava vazia. Repararam que coloquei amigos entre aspas? Porque eles fingiam-se amigos um do outro; mas nas suas discussões jamais se apoiavam; guerreavam frequentemente por fazer prevalecer a sua opinião. E nas costas um do outro falavam mal e punham a descoberto a vida privada do seu opositor. Nessa noite eles permaneceram no estabelecimento das 22h00 às 02h00 do dia seguinte. Durante essas 4 horas consumiram somente 2 finos cada um. Eles viam que eu só aguardava a sua saída para encerrar o estabelecimento. O meu filho que na altura tinha uns 14 anos debatia-se com o sono. Sentamo-nos numa mesa e aguardamos que eles se dignassem sair, uma vez que já tinham parado de consumir. O Tiago acabou adormecendo sentado e com a cabeça pousada numa mesa. Um deles, que estava virado para o nosso lado ia fazendo o relato ao outro, que virava ligeiramente a cabeça e olhava de soslaio. De seguia sorriam um para o outro e continuavam na sua conversa sobre não sei o quê, que não os ouvia, mas devido a longas interrupções não devia ser muito importante. E só pelas 02h00 é que se levantaram, vieram pagar, pegaram na factura e saíram... Não eram pessoas incultas, porque um era professor do 3º e 4º ciclos e o outro um quadro técnico experiente, que por vezes viajava pelo mundo...

Felizmente no nosso passeio há pessoas que caminham ao nosso lado. Há pessoas que como nós se preocupam em ajudar e em ser solidários. Esse passeio, quando analisado em toda a sua extensão, não deixa de ter momentos de fraqueza em que precisamos de um ombro amigo ou de uma palavra encorajadora. Mas mesmo quando estou só, eu busco essa palavra nas Escrituras Sagradas. Eu procuro aí apoio para ultrapassar as pedras e as cascas que atiram para a minha frente. E como não basta ler e é preciso praticar, eu procuro perdoar como o Mestre mandou... Mas confesso que em algumas situações e principalmente quando mexe com o meu filho é mesmo muito difícil...

quinta-feira, 2 de março de 2017

Os falsos foliões

Carnaval diz-se que é tempo de folia e divertimento. Apregoado pela comunicação social que assim estimula estas festividades. Desfiles no domingo anterior e no próprio dia de carnaval celebram o mundo carnal. Mais grave, celebram muitas vezes o deboche e o excesso. Mais recentemente vemos nesses desfiles autênticos cultos ao diabo e à morte. Curiosamente as pessoas apelidam esses desfiles de celebração da vida.

Eram cerca das 03h00 da madrugada, regressava a casa depois de ter estado a trabalhar, porque em 32 anos na actual terra em que o carnaval é famoso, nunca o festejei e nunca assisti aos desfiles do corso. Embora muitos que me conhecem me critiquem, eu só me preocupo com o meu comportamento perante Aquele que ninguém engana, porque lê os nossos corações. Mas regressava a casa e o que conseguia ver nas ruas eram pessoas aos gritos com bebidas alcoólicas na mão; pessoas que desfilavam com trajes mais rebuscados ou simplesmente improvisados, mas com o seu semblante sério, infeliz, por vezes mesmo zangado; pessoas caídas nos passeios, perdidas de bêbadas e já sem qualquer controlo sobre si mesmo e sobre as suas funções racionais (por vezes acompanhados dos "amigos" que se riam deles... e coloquei amigos entre aspas...).

Pensei comigo mesmo se aquilo era de facto alegria e folia, ou se não seria mais o cumprir uma tradição pagã, entregando-se por inteiro a práticas lamentáveis e reprováveis em termos sociais, já nem falo religiosas. Não consegui ver alegria em ninguém. Vi actores a desfilarem. Vi cultos esquisitos e demoníacos. Vi perda de dignidade. Vi homens pintados e vestidos como mulheres e mulheres vestidas de homens com bigodes postiços. Vi pessoas a cultuarem tudo menos a vida digna e alegre. 

E senti-me um estranho. Sei que mesmo estas linhas que hoje escrevo receberão mais reprovação do que aprovação. Mas fico feliz por, apesar de todas as dificuldades na minha vida, sentir que não faço parte deste mundo e recordo as palavras do meu Mestre:

"Se o mundo vos odeia, sabei que, antes de vós, odiou a mim. Se fôsseis do mundo, ele vos amaria como se pertencêsseis a ele. Entretanto, não sois propriedade do mundo; mas Eu vos escolhi e vos libertei do mundo; por essa razão, o mundo vos odeia." (Palavras de Jesus) Evangelho de João 15:18.19


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Na semana passada as provações continuaram...

Eu sempre senti que quanto mais falo das Escrituras a mensagem delas se torna mais visível, mais clara, aos meus olhos e ao meu entendimento.
Na quinta-feira passada estive quase uma hora a falar das Boas Novas de Jesus e a explicar pormenores das Sagradas Escrituras. Foi um tempo edificante. Mesmo quando explicamos a alguém, algo que dominamos, nós continuamos também a aprender. Sentimos a nossa fé firmar-se.

Claro que há uma entidade a quem não agrada esta nossa postura. Fica chateado com o nosso crescimento espiritual e furioso por o rejeitarmos e seguirmos o nosso querido Mestre, Jesus. Estava a referir-me ao "inimigo", aquele que conhece Deus e que sabe que está condenado, que quando Jesus vier o seu reinado irá terminar de vez. Então tudo faz para nos abalar. E na passada quinta-feira, final do dia, ia eu tranquilamente numa ciclovia quando um automobilista, alegando que não me viu, atravessou a sua viatura à minha frente e eu não o conseguindo evitar, acabei a bater com a cara no chão. Sangrei muito, mas muito menos que Jesus. Sofri um bocado, mas nada que se compare ao que o Mestre sofreu. E no final, horas depois e depois de um TAC à cabeça, umas radiografias ao nariz e uma ida ao Otorrinolaringologista, nada tinha partido; somente alguns hematomas.

Uma conversa com o meu Pastor e Guia Espiritual e um pouco de reflexão sobre o assunto e ficou claro para mim que o inimigo magoa, mas Deus coloca a sua mão e quando não evita, ameniza o nosso sofrimento. E esses momentos que tantas vezes gostaríamos de evitar, acabam por ter um papel muito importante na consolidação da nossa fé. Nesse mesmo dia, no meu quarto, eu gritei bem alto com Satanás e disse-lhe que não levaria a melhor e orei ao meu Jesus, louvei-O, exaltei-O e agradeci-Lhe o estar sempre comigo.

No domingo fui solicitado para ler uma Palavra das Escrituras Sagradas e fazer uma oração. Li o Salmos 117, porque é uma exortação a todos para louvarem o Senhor e porque testifica a fidelidade do nosso Deus (o Único Verdadeiro) para com o seu povo. Depois durante a oração, a emoção embargou-me as palavras e tive que fazer uma pausa e reordenar os meus pensamentos. De regresso ao meu lugar, a emoção fez-me chorar. Sentei-me e chorei de alegria por sentir as minhas forças renovadas pelo meu Deus... E acredito que aquele irmão que me chamou para orar, agiu por acção do Espírito Santo, porque eu precisava desse choque para me desprender de vez desse acontecimento e seguir em frente.